Centro de estudios, la mujer en la historia de américa latina

As mulheres na história: Subversão, desordem, movimento e potência 85 múltiplos, compreendidos fora do que a análise filosófica identifica tradicionalmente como o campo do poder” (Revel, 2005, p. 67). Trata-se do poder como relações de forças, diz Deleuze (2013a), e a força nunca está no singular, “ela tem como característica essencial estar em relação com outras forças, de forma que toda força já é relação, isto é poder” (Deleuze, 2013a, p. 78). Ao entender o poder como relações de forças, Foucault (2015) se afasta das concepções tradicionais de poder – a “hipótese repressiva do poder” ou sua representação jurídico-discursiva –, em que o poder é uma instância unificada na figura do Estado e age de forma vertical, reprimindo por meio da lei. O autor diz que devemos evitar “localizar o poder no aparelho de Estado, e em fazer do aparelho de Estado o instrumento privilegiado, capital, maior, quase único do poder de uma classe sobre outra classe” (Foucault, 2015, p. 180). Afinal, na perspectiva foucaultiana, o poder funciona sempre em cadeia, tanto em nível molar quanto molecular. Ao privilegiarmos uma concepção molar de poder – macropolítica – dificulta-se a possibilidade de apreender as porosidades dos múltiplos processos sociais – micropolítica. É na coexistência desses processos – macro e micro – que o poder funciona e que as lutas têm sua insurgência. Partindo de uma microfísica do poder, Foucault analisa as práticas que afetam a produção das subjetividades e as práticas autônomas – “tecnologias do eu” – em que os sujeitos constituem si mesmos de forma diferencial. Nessa perspectiva, as relações de poder não estão na base das relações legais, mas no plano das disciplinas e de seus efeitos de normalização e moralização. Isso implica considerar não a “impotência ou inoperância do poder soberano, mas sim a maior eficácia de um conjunto de poderes que em vez de negar e reprimir atuavam discretamente na produção de realidades [...] por meio de processos disciplinares e normalizadores” (Duarte, 2008, p. 47). Quando Foucault (2013) caracteriza as relações de poder como relações de forças, como formas complexas de ação de uns sobre a de outros, está incluindo em sua análise a liberdade como um elemento importante. Para o autor, o poder não se exerce senão sobre sujeitos livres, “entendendo-se por isso sujeitos individuais ou coletivos que têm diante de si um campo de possibilidades em que diversas condutas, diversas reações e diversos modos de comportamento podem acontecer” (Foucault, 2013, p. 289). Revel (2005) diz que na análise foucaultiana do poder, não há contradição entre poder e liberdade. Para a autora, ao tornar indissociáveis esses conceitos, Foucault pode reconhecer no poder um papel não somente repressivo, mas produtivo; pode “enraizar os fenômenos de resistência no próprio interior do poder que eles buscam contestar, e não num imprová vel ‘exterior’” (Revel, 2005, p. 68). Se “não há relações de poder onde as determinações estão saturadas” (Foucault, 2013, p. 289), então as resistências, para Foucault, são inseparáveis das relações de poder. A questão do poder é indissociável a das resistências ao poder. Essas resistências são postas em ação internamente no próprio movimento dessas relações. As resistências apresentam-se como fragmentadas e focais e se distribuem com maior ou menor densidade no jogo relacional com o poder. Por isso Foucault (1988) diz que onde há

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