Lia Faria - Ana Luiza G.Balassiano 485 Assim, não podemos fugir dos “lugares de memória”14 que sinalizam em seus registros reais e simbólicos, alguns mitos e representações sobre e daquela geração de educadores que ocuparam os espaços institucionais, através de suas lutas sindicais e pedagógicas. Mas, além das possíveis marcas, é o não-dito que é preciso desocultar, identificando e descodificando os enunciados representativos das décadas de 1960/1970. Por outro lado, nesse caminho de sentidos muitas vezes sem sentido, talvez se torne possível encontrar vestígios do discurso construtor da(s) identidade(s) docente, naqueles dois países. Enfim, que enunciados construtores do ideário republicano habitavam o imaginário da sociedade portuguesa e particularmente da comunidade escolar? E, como identificálos? De forma similar, os sentidos não se cristalizam e é principalmente a partir de sua análise que seremos capazes de identificar/descodificar o processo histórico, que estabeleceu as bases político-ideológicas de formação do professorado e de um determinado pensamento no período pesquisado. Trata-se, portanto, de revisitar alguns conceitos, como Política, Cultura, Escola e República em Portugal e no Brasil. Tais narrativas e discursos, envoltos em diferentes linhas de pensamento, sobre o que viria a ser a escola republicana, servem como cimento e espelho das diversas épocas históricas, forjados em períodos autoritários e/ou momentos de transição democrática. De acordo com Barroso (2005), no texto Políticas Educativas e Organização Escolar, “... as várias imagens de professor distribuem-se segundo dois eixos ...”. Um marcado pela dimensão técnica, que definiria a questão do profissionalismo e o segundo definindo um sentido de missão, ou seja, um “... maior ou menor grau de “altruísmo”, ... capacidade de intervenção social, compromisso político ...” (p.181). Para o professor da Universidade de Lisboa, trata-se de um caleidoscópio de imagens: Entre essas imagens, são de destacar a do “militante” e a do “profissional” que atingiram a sua expressão maior depois da Revolução de “25 de Abril de 1974” que restaurou o regime democrático em Portugal... A imagem do “militante” teve seu momento de maior afirmação “oficial”, entre 1974 e 1975 (o período revolucioná rio); a do “profissional”, a partir dos meados dos anos 80... (Barroso, 2005, p.180). Nesta direção, o texto analisa a participação docente no campo político e cultural, contribuindo para um banco de memórias. Portanto, dando continuidade a investigações empreendidas no Laboratório Educação e Republica (LER/PROPRED/UERJ)15, ampliamos 14 Ver Pierre Nora (1979). 15 O Programa de Pós-Graduação em Educação em Educação (ProPEd) se constitui em 4 Linhas de Pesquisa com o compromisso pedagógico e sócio-político do Programa. Do mesmo modo o Laboratório de Educação e República (LER) grupo de pesquisa coordenado pela Professora Lia faria faz parte integrante juntamente com outros grupos de pesquisa da Linha Instituições, Práticas
RkJQdWJsaXNoZXIy MjgwMjMx