Centro de estudios, la mujer en la historia de américa latina

Lia Faria - Ana Luiza G.Balassiano 483 cultura, no processo de reconstrução democrática daquele país. Através de suas memórias/discursos durante as décadas de 1970/80, sinalizamos para as redes de sociabilidade8 presentes no cotidiano do professorado português. Também nos ancoramos nos estudos de Joaquim Pintassilgo9, acerca da formação de professores em Portugal, possibilitando uma melhor compreensão do campo teórico da História da Educação portuguesa. Durante a investigação, selecionamos professores aposentados e professores universitários, que têm nas suas trajetórias de vida uma memória significativa do seu fazer docente em tempos de ditadura salazarista. Dentre os pontos observados no decorrer dos depoimentos, identificamos três aspectos comuns a ressaltar: 1- O movimento estudantil dos anos 1960, em particular os acontecimentos em Coimbra, o que indica um processo oposicionista de alguns setores da sociedade, contribuindo para a desestabilização política do regime Salazarista. Ao lado, principalmente, do Partido Comunista (PC) na clandestinidade e setores progressistas da Igreja Católica; 2- No que se refere à atuação específica do professorado, se sobressai o papel significativo dos grupos de estudos docentes10, também iniciados ainda nos anos 1960. Quanto a esse aspecto, cabe um papel fundamental à figura do professor António Teodoro, entre outros. Como um dos organizadores e líder dessa estratégia política desenvolvida em alguns colégios; 3- A hipótese levantada em nossa investigação acerca das influências artísticoculturais, tanto na formação docente, quanto como inspiração para a militância política, vem se confirmar nas falas e narrativas do conjunto dos entrevistados. A respeito deste terceiro último item, assinalamos, mais uma vez a importância de intelectuais e artistas naquele momento histórico, como: Miguel Torga, Manuel Alegre e Sophia de Mello Breyner Andresen; cantores e compositores, como José Afonso e Sérgio mudança social e politicas educativas no Portugal contemporâneo. Porto: Edições Afrontamento, 2001. Foi também coorientadora de António Teodoro no seu doutorado. 8 Ver Jean-François Sirinelli, Os Intelectuais. in René Rémond - Por uma História Política (org). FGV- RJ, 2003. 9 Joaquim Pintassilgo é Professor Associado do Instituto de Educação da Universidade de Lisboa. Autor, coautor e organizador de obras diversas, em especial na área de História da Educação. Joaquim Pintassilgo foi orientador Pós-Doutorado (Bolsa CAPES) da Professora Lia Faria na Universidade de Lisboa (2012) que teve como projeto: o debate político pós-25 de abril: ecos e memórias do magistério português. 10 Pintassilgo (2008) aponta que “os ú ltimos anos do regime autoritário acabaram por assistir a um novo influxo do associativismo docente ao nível do ensino público, expresso pela vitalidade que acabou por caracterizar, não obstante o apadrinhamento oficial (em plena Reforma Veiga Simão), o 6º Congresso do Ensino Liceal, realizado em 1971 em Aveiro (Resende, 2003) e, também, pela amplitude assumida, a partir do ano letivo de 1969/70, pelo movimento dos chamados Grupos de Estudo, que está na origem da publicação, com início em 1971, do emblemático boletim O Professor e da fundação, já em período democrático, de sindicatos de professores (Monteiro, 1970; Grácio, 199596; Ricardo, 2004; Tavares, 2004; Galeão, 2006)”.

RkJQdWJsaXNoZXIy MjgwMjMx