Centro de estudios, la mujer en la historia de américa latina

Lia Faria - Ana Luiza G.Balassiano 481 Assim, durante a realização das entrevistas consideramos duas questões prioritárias, garantindo ampla liberdade de expressão aos depoentes. Conforme assinalado abaixo: • De que forma se desenvolvem as prá ticas profissionais e políticas dos professores nos anos 1960/70? • Dentre as principais expressões artísticas da época, quais as que mais marcaram o magistério português naquelas décadas? Cabe ainda assinalar, a forte presença de inúmeros Periódicos que, surpreendentemente naqueles anos 1960, portanto durante o Estado Novo, mantinham um espaço de oposição ao regime, publicando variados artigos de livre opinião sobre a situação internacional daquela década. Em nosso levantamento encontramos assuntos considerados “proibidos”, tais como: Guerra do Vietnã; tensões da Guerra Fria; lutas anticolonialistas; processos de libertação dos negros e das mulheres, entre outros. Dentre tais periódicos, apontamos: o Tempo e o Modo5; Seara Nova e Vértice, pesquisados na Biblioteca Nacional, no Centro Nacional de Cultura e na biblioteca do Instituto de Educação. Assim como, encontrados nas incursões aos alfarrabistas em Lisboa (Mercado da Ribeira, Baixa-Chiado, Feira da Ladra e livrarias de bairro). Nessas ocasiões, foi possível entrar em contato com vasta literatura sobre o período, encontrando publicações recentes sobre o assunto6. Ao longo da pesquisa, buscamos ouvir as vozes dos professores/as, objetivando o reconhecimento de sua matriz identitária, enquanto categoria profissional. Trata-se então, de desvelar o espaço da escola através dessas trajetórias políticas de sindicalistas e do magistério, durante o período que circunscreve a Revolução dos Cravos, em 25 de abril de 1974. Portanto, o que o estudo pretende é registrar testemunhos e reflexões, em particular, dos professores portugueses naquele momento histórico. 5 O periódico “O Tempo e o Modo” se iniciou com a primeira série em Janeiro de 1963 e terminou em Maio de 1970, tendo publicado 72 números e três Cadernos temáticos. A segunda série teve início em Novembro de 1969 e terminou em Setembro de 1977. Os fundadores da revista vinham de uma geração não-conformista ligada aos movimentos católicos, desde o I Congresso da JUC (Juventude Universitária Católica) até ao jornal «Encontro», que tinham rompido com o regime. Desde sua criação a revista «O Tempo e o Modo» foi ligada ao Centro Nacional de Cultura, marco fundamental na renovação do debate de ideias no início dos anos sessenta, graças ao impulso, à premonição e à generosidade de António Alçada Batista (1927-2008) e da equipa que constituiu na Livraria Moraes, num momento decisivo de mudança no destino português, aberto em 1958 pela candidatura presidencial de Humberto Delgado, pelo célebre memorando do Bispo do Porto dirigido a Salazar e por tudo o que se seguiu. A estrutura interna da revista se constituía de um noticiário com comentários e criticas de política, de artes e Letras. Completavam ainda as crônicas, as quais sugeriam também uma reflexão sobre o noticiário. Revista que de certo modo representava o mal-estar da sociedade em que viviam. António Alçada Baptista foi o seu diretor até Janeiro de 1970. A revista teve como colaboradores nomes não só portugueses, mas representantes de outras culturas e que naquele período representavam um pensamento reflexivo. Assim, podemos destacar Jorge de Senna, Mário Soares, Jorge Sampaio, Jean Paul Sartre, Edgard Morin e o padre brasileiro D. Hélder Câmara, entre outros. 6 Conforme bibliografia ao final deste artigo.

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