Centro de estudios, la mujer en la historia de américa latina

Lia Faria - Ana Luiza G.Balassiano 479 Entretanto, é importante atentar para o “deslocamento de um mesmo autor de uma posição a outra” (p.33). Tal processo também se aplica à análise das memórias e narrativas de nossos entrevistados, no que se refere ao afastamento temporal daquele cenário político datado de algumas décadas atrás, o que pode interferir nos diferentes depoimentos individuais e/ ou coletivos. Nesse sentido, cabe observar que para esses autores embora parte daqueles escritores e daquele público pertencessem à burguesia, contraditoriamente, “o romantismo constitui um profundo questionamento dessa classe e da sociedade que ela domina.” Durante a investigação, assinalamos ainda o fato das análises marxistas relacionarem o romantismo também a outras classes sociais, em particular, à aristocracia e a pequena burguesia. Logo, criando um impasse, acerca de uma categoria fundamental para a apreensão desse fenômeno: “a intelligentsia, grupo composto de indivíduos de diversas origens sociais cuja unidade e autonomia (relativa) resultam de uma posição comum no processo de produção da cultura.” (p.38) Deste modo, se mostra interessante tomarmos emprestado esta visão, considerando certas frações tradicionais da intelligentsia, como por exemplo, os professores universitários e os intelectuais que podem exercer influência, principalmente, sobre os estudantes. Assim, a partir dessas reflexões teóricas iniciais, enfocamos o debate político nos anos 1960/70 antecedendo ao evento do 25 de abril2, registrando memórias do magistério português e daqueles jovens ainda estudantes universitários. Relatos de si: um baú entreaberto A busca por quem escutar foi um trabalho conjunto e referendado por encontros com o orientador da pesquisa professor Joaquim Pintassilgo. Entre outros estudiosos, destacamos a contribuição da professora Rosa Serradas (Universidade Lusófona), nos sinalizando outros protagonistas daquele período. Vale ressaltar que todos os professores convidados a participar da pesquisa, contribuindo com seus relatos daqueles tempos que antecederam o 25 de abril, foram unânimes em aceitar o convite para narrar suas histórias, relacionadas ao contexto ditatorial português. 2 O dia 25 de abril de 1974 marca o fim de 48 anos da ditadura salazarista e 13 anos de guerra nas colônias africanas. A liberdade em Portugal se inicia com a transmissão, pelo rá dio, da canção Grândola - Vila Morena de Zeca Afonso, mú sica proibida pelo então regime do Estado-Novo. Militares ocupando locais estratégicos e sem uma troca de tiros Portugal depõe o governo Salazarista. Os cravos colocados pela população nas espingardas dos soldados se tornaram, então, o símbolo da revolução, que encerrou a mais antiga ditadura Européia. Nóvoa, (2014) sinaliza que naquele abril de 1974, “tudo pareceu possível, ao alcance de nossa vontade, como se o limite estivesse apenas em nós.” E ainda observa que é isso que enuncia um tempo ú nico na história portuguesa.

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