Centro de estudios, la mujer en la historia de américa latina

A história das mulheres e as mulheres na história: Andradina de Oliveira e Alfonsina Storni 330 Tomando a carta como oportunidade do face-à-face e como possibilidade de defender posições e pontos de vista, a título de exemplo, citamos a abertura da carta 6, de Consuelo para Ignez, que tem como ponto de partida a confirmação do recebimento da carta da amiga: Recebi a tua afetuosa carta e, acompanhando-a, alguns números do Correio da Manhã, onde as festejadas penas de Carmen Dolores, Osório Duque Estrada e Myrtes de Campos, a intemerata advogada brasileira, patrocinam a causa do divórcio. (Oliveira, 2007, p. 61). e a continuação acerca de situações diversas, entre elas a “tormentosa questão do divórcio: quando se trata desta tormentosa questão do divórcio, Ignez, sinto minha alma fremir toda dum anseio de justiça. Sou também uma desquitada. Arrastando o preconceito esmagador, propus divórcio, há cinco anos, a meu marido. Divorciamonos... amigavelmente! Que horror! (...). O verdadeiro motivo?... Ah! é um segredo! (...) A minha noite de noivado... Ah! e eu não morri de vergonha naquela noite de trágico desespero!... (Oliveira, 2007, p. 61-62). Após essa confissão, abrindo uma espécie de parênteses para comentar sobre os “naufrá gios matrimoniais”, que, segundo ela, “torturados e torturando vão, por aí a fora, às centenas, homens e mulheres, algemados por uma lei absurda, devorando lágrimas, ocultando os corações chagados dentro de lares que são verdadeiros infernos, desolados túmulos”, tece críticas aos “anti-divorcistas” que, primeiro, “cerram os ouvidos ao clamor dos que agonizam, fecham os olhos às desgraças que veem em torno”, segundo, porque “entravam os passos dos que batalham pelos algemados da indissolubilidade” por conta de seu egoísmo (2007, p. 62). Consuelo manifesta sua defesa ao divórcio perguntando qual a motivação do pavor que se parta um vínculo imoralíssimo, sem utilidade nenhuma para pais e filhos “Se o divórcio não vem desfazer as uniões felizes, dissolver a família, e sim salvar do opróbrio, da vergonha, tantas outras criaturas, também de Deus?!” (2007, p. 62). Fechando o parêntese, após discorrer acerca situação das mulheres e da prostituição, Consuelo invoca Ignez a pensar sobre o destino da mulher, sinalizando um sentimento de esperança para um futuro melhor: E vê tu, Ignez, e pensa e medita bem na tristeza que é o destino da mulher! Oh! O seu infortúnio começa no berço. Principia aí a distinção odiosa. Ah! mas isto terá um fim. Nós não havemos também de ser sempre essa miserável raça de atrasados, de ignorantes e de egoístas. Vamos evoluindo. O destino da mulher há de ser modificado, não achas, minha amiga? Ah! e tem de ser, sim. Não! não é possível este estado de coisas. Para o homem todos os direitos, todas as liberdades; para a mulher só deveres e escravidões. Ele pode tudo. (...) Mas antes que chegue este momento sonhado, minha Ignez, batalhamos para que, ao menos, à mulher do presente seja

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