Regina Kohlrausch – Nathalia Maynart Cadó 331 minorada a sua sorte. E que venha, breve, este divórcio amplo, para acabar com tantos martírios, para pôr um termo a tanta situação aflitiva. (Oliveira, 2007, p. 6466). Levando em conta o exposto, mostramos que Andradina de Oliveira usa a imprensa e a literatura para defender os direitos das mulheres à educação e a uma formação profissional e assim como ao direito ao divórcio pleno, ou seja, poder manter-se sem depender financeiramente do pai, do irmão ou do marido e com o direito de refazer sua vida por meio de um novo casamento e uma nova formação familiar. Andradina, na carta 19, escrita por Nilza e destinada para Bertha, reforça sua posição não se deve educar a mulher para somente ser a linda e delicada flor de baile, porque a vida real, positiva e nobre não é uma festa constante; não se deve educá-la para ser uma dona de casa. É preciso cuidar-lhe a alma, desenvolver-lhe a inteligência, dar-lhe um caráter forte e ativo, fazer dela força consciente para a vida (...) capaz, se as circunstâncias o exigirem, ser a coluna forte, o sustentáculo do lar. Eduque-se a mulher de modo que, se acaso a rudez da vida lhe reservar momentos amargos, provações dolorosas, ela seja forte para lutar e para vencer, consciente de suas energias e capaz de utilizá-las. (Oliveira, 2007, p. 126). Por fim, ecoando as posições até aqui explicitadas, repetimos a afirmação de Andradina sobre seu livro Divórcio?: “não é somente um livro de propaganda em prol do divórcio: é também um brado de indignação contra a injusta e esmagadora situação da mulher”. 1. 2 Alfonsina Storni E O Seu Olhar Sobre O Matrimônio Na Argentina: O Divórcio Sob A Ótica Feminina “Me llamaron Alfonsina, que quiere decir dispuesta a todo” (Delgado, 2010, p. 17). Essa fala, dita por Alfonsina a um amigo, pressupõe o que se espera da escritora ao ler um pouco mais sobre sua história de vida: uma mulher que estava à frente de seu tempo, que possui uma trajetória marcada pela coragem e pela defesa das mulheres. Com uma produção escrita predominante entre 1919 a 1938, escreveu para todos os tipos sociais de mulheres, independentemente de sua opinião ou posicionamento ideológico. A sua visão de mundo, tão vasta e distinta das convenções sociais, a fez trazer à tona questões pouco abordadas em uma sociedade conservadora, e de modo público: o direito da mulher em votar, optar pela maternidade sem uma presença paterna, poder libertar-se de uma condição de sujeita subordinada a um ambiente doméstico, discutir sobre a ideia de divórcio, que ainda era uma controvérsia no seu país naquela época. Em relação ao divórcio, buscamos a crônica ¿Quién es el enemigo del divorcio?, de Storni, publicada em 1919. Porém, antes de tratar do tema na crônica, apresentamos brevemente a história de vida da autora e suas obras, tendo como enfoque seu engajamento na imprensa. Para Alicia Salomone (2006):
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