Centro de estudios, la mujer en la historia de américa latina

A história das mulheres e as mulheres na história: Andradina de Oliveira e Alfonsina Storni 328 vexame da rejeição social”. Conforme Flores, a luta pelo direito ao divórcio, levou décadas, conforme segue, Para os defensores do feminismo, o divórcio “pleno”, aquele que desfaz o vínculo conjugal e permite constituir nova família, era a grande meta a ser alcançada. O deputado Érico Coelho, em 1893, teve seu projeto rejeitado no Legislativo Federal por 78 contra 35 votos. Igual sorte teve, em 1900, o projeto do senador Martinho Garcez, e, em 1908, o de Virgílio de Sá Pereira. Em 1910, foi a vez do projeto do deputado Floriano de Brito receber a recusa do Congresso. Outras campanhas dentro dessa primeira corrente divorcista persistiram até 1916 – todas sem êxito, sabendo-se que o divórcio pleiteado só viria em junho de 1977, após acirrados debates divorcista ao longo das décadas. (Flores, 2007, p. 15). A obra Divórcio?, caracterizada pela crítica como romance-tese, organiza-se em três partes antecedidas por uma dedicatória a Carmen Dolores, pioneira na uta pela educação da mulher e por seu valor na vida laboral, considerada, por isso, a “grande evangelizadora”. Nesta dedicatória, Andradina declara sua irmandade: “Consagro este livro que, se não tem valor das obras dos mestres, nem a pujança e bizarria de um estilo literário, como o seu, tem ao menos o mérito da sinceridade de uma alma bem irmã da sua”, “eu, franca batalhadora da mesma causa que houve as fulgurações da mais bela inteligência feminina contemporânea, que foi a sua ...”, explicitando, portanto, sua filiação aos ideais da homenageada.(Oliveira, 2007, p. 25). Na primeira parte, estilo prefá cio, intitulado “Às mulheres e aos homens do meu país”, a autora faz um convite ou um chamamento aos homens e mulheres à leitura da obra. Na segunda parte, “Cartas”, conforma-se com um conjunto de 25 cartas ou, segundo Zahidé Lupinaci Muzart (2007, contracapa), “pequenos contos em forma de cartas”, escritas e assinadas por homens e mulheres, destinadas a homens e mulheres, nas quais se configura uma espécie de escrita de si, revelando-se ao outro sobre as condições de sua vida privada e conjugal. Todas essas cartas indicam o destinatário ou destinatária, são assinadas pelo emissor ou emissora e, antes de indicar o destinatário ou destinatária, consta uma ou mais epígrafes de autoria diversa, que se manifestam a favor do divórcio, como, entre tantas, a de Carmen Dolores, transcrita na primeira carta: “A imoralidade fica com a separação de corpos e bens; mas não atinge o divórcio, que é uma solução leal, franca e decisiva, sem ambições nem ambiguidades hipócritas” (2007, p. 37) e a de Júlia Lopes de Almeida, que declara “Aceito o divórcio, o acho uma necessidade. O Estado não irá obrigar ninguém a se divorciar, como não obriga ninguém a ser livre pensador” (2007, p. 161), que fecha essa parte. Na terceira parte, “Sú plica”, direcionada “a todos os homens de alma e de coração”, conforma-se como um apelo da autora em favor da mulher sofredora e estigmatizada fora do casamento que prefere sujeitar-se a continuar malcasada ou, como escreve Flores (2007, p. 16), “preferível atrelada a um marido degenerado a separar-se e ser apontada como “descasada”, caminho natural para o concubinato ou a prostituição”.

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