7 Ensayos 90 años

315 Ponencias del Simposio Internacional 7 ensayos | 90 años de acima de 13 milhões de desempregados, en"m, dos desesperados entregues ao deus-dará. Trata-se, pois, de uma relação de novo tipo de intelectuais-povo, fruto da nossa modernização, e que vem passando ao largo da con"guração tradicional em que intelectuais com formação de elite se articulavam com a fração organizada do povo em torno de um projeto, há um tempo, ideal e material. Importa notar que a passagem do Império à República, mais do que centenária e nascida no contexto de uma separação entre Igreja e Estado, manteve-se até aqui "el, em linhas gerais, e durante décadas, a essa marcação, como ilustram as experiências da pouca in#uência exercida pela Liga Eleitoral Católica (LEC), nos anos 1930 e 1940, e o da di"culdade de captar o voto católico que o Partido Democrata Cristão (PDC) encontrou nas décadas seguintes. Também vale igualmente recordar o destino da Ação Popular (AP), movimento político de inspiração na esquerda católica, que de tal modo se envolveu com o mundo secular que acabou por se tornar de adesão marxista. De qualquer forma, deve-se registrar que a distância entre religião e política, preservada pelos católicos em grande parte da história republicana, não se deve, ao menos a partir dos anos 1930, a traços de quietismo social entre eles, especialmente nos anos da ditadura militar (1964-1985), quando a Igreja católica brasileira se constituiu como uma das instituições-líderes da sociedade civil nas lutas pela redemocratização do país. A emergência das denominações evangélicas no terreno sans phrase da política republicana é, portanto, além de surpreendente, paradoxal. Surpreendente, à medida que contorna, pelo seu compromisso com um candidato presidencial de declarada convicção autoritária e, até aqui, portador de um duplo projeto, a saber, projeto liberalizante e/ou neoliberalizante inscrita em sua sigla e sustentada pelo que o próprio candidato chama de seu Posto Ipiranga (tratamento oriundo de campanha televisiva da referida empresa petrolífera) do seu assessor econômico Paulo Guedes, e o projeto das corporações do complexo da segurança pública nacional e social, que reposicionam as forças que deram azo ao autoritarismo nos anos de 1964-1985. Paradoxal, porque não apenas contraria a tradição republicana de apartar a esfera da religião da esfera da política, como, principalmente, por adotar um parlamentar-militar (cujo comportamento tem sido o de um incitador) como candidato presidencial, após o vertiginoso ciclo de modernização mais uma vez sem o moderno vivenciado pelo país de 1994-2013, circunstância que, na interpretação dominante, teria aprofundado, em todas as camadas da população, uma atitude em favor de valores secularizados. A cronologia é persuasiva e está mais bem indicada na literatura especializada: o avanço dos evangélicos, no campo da religião, coincide com um processo de aceleração da modernização do capitalismo brasileiro sob o regime autoritário,

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