294 Sara Beatriz Guardia ensino secundário; o colegial. Essa fase tinha o objetivo de consolidar a educação ministrada no curso ginasial, orientando o estudante para o exame de admissão na universidade. O colegial se dividia em dois cursos, o Clássico e o Cientí"co. O curso Clássico tinha como objetivo formar os estudantes através do conhecimento de "loso"a e das letras, preparando-o para o exame de admissão no curso universitário de direito, letras ou "loso"a. O curso Cientí"co tinha como objetivo aprofundar a formação do aluno na área das ciências, preparando-o para os exames de admissão nos cursos universitários de medicina ou engenharia. Tanto o curso colegial Cientí"co, quanto o Clássico, eram etapas fundamentais para a entrada do estudante em cursos de nível superior. Zotti a"rma que: “A Lei Orgânica apresentou ‘um currículo sobrecarregado de matérias que, salvo o suposto valor formativo, apenas têm valor se o seu estudo prossegue até o "m e com vistas ao ingresso num curso superior’”. (SILVA, 1969, apud ZOTTI 2011, p. 8) Uma outra mudança realizada pela Reforma Capanema foi a separação do ensino de geogra"a do ensino de história. Antes da reforma o ensino de geogra"a era aplicado junto ao de história, que anteriormente formava uma única disciplina. Tal mudança teve a função de oferecer maior compreensão dos valores e das realidades nacional. Como já foi dito, essas duas áreas do conhecimento, desde seu aparecimento como disciplinas escolares, estiveram diretamente ligadas à legitimação da ideologia patriótica do estado-nação. Por isso, exerceram função estratégica no processo de formação do cidadão almejado por aquele governo de Vargas: Estado Novo. Como expressão da necessidade de atribuir maior quali"cação ao crescente número de indivíduos moradores do espaço urbano, a formação do curso ginasial representou, em termos legais, o início da abertura do ensino secundário para um segmento da sociedade que eram impedidos de cursar o ensino superior. Devido a tal mudança podemos a"rmar que, com o crescimento de pessoas nos espaços urbanos e a demanda por mão-de-obra com um certo nível técnico, o ensino secundário deixou de ter o caráter exclusivamente propedêutico, passando a ser também formador de mão-de-obra para trabalhar nas indústrias e demais serviços presentes nos espaços urbanos. A partir desse momento, a lógica do currículo tecnicista se faz presente na política de educação do estado brasileiro. De 1950 até o golpe militar foi um período de efervescência política devido ao crescimento da classe operária nos centros urbanos e de camponeses nos espaços rurais. Surgiram inúmeros sindicatos e movimentos estudantis. Cada vez mais, o acesso à educação escolar pela população tornava-se uma demanda popular. Os métodos da educação popular de Paulo Freire, se expandiram,
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