293 Ponencias del Simposio Internacional 7 ensayos | 90 años ensino comercial, que não permitia o acesso dos alunos ao ensino superior, privilégio exclusivo dos que concluíam o ensino secundário propedêutico. Na prática, a reforma de Campos estabeleceu um projeto de educação diferenciado: uma educação “para pensar” e outra “para produzir”. (Zotti, 2011, p.3. grifo nosso) A partir desse momento se estrutura a dualidade no ensino escolar brasileiro. A “educação para pensar”, capaz de desenvolver o pensamento autônomo, foi direcionada exclusivamente para os "lhos da elite burguesa, que através de uma educação propedêutica teria garantida a oportunidade exclusiva de cursar o ensino superior, adquirindo, com isso, uma educação direcionada para desenvolver competências de mando. A “educação para produzir” foi orientada para a capacitação fundamental da massa de trabalhadores que, após conclusão do ensino técnico, pôde ser absorvida nas linhas de produção das nascentes fábricas ou estabelecimentos comerciais. Como já salientamos, a Reforma Francisco Campos teve como foco o atendimento dos interesses de uma elite urbanoindustrial que passou a projetar no espaço urbano uma relação de exploração entre a burguesia e o proletariado; fundamental para o seu desenvolvimento político e econômico. No período Pós-Segunda Guerra Mundial, ocorrerá no Brasil a aceleração do processo de industrialização. Sob a égide do Estado Novo, que terá Gustavo Capanema como Ministro da Educação, o ensino sofrerá nova reforma. Reforma essa que consolidará a ministrada por Francisco Campos. Imposta através de inúmeros decretos leis, a Reforma Gustavo Capanema, conhecida como Lei Orgânica do Ensino, teve início no ano de 1937 e apenas se concretizou em 1939. A partir de tal reforma, o ensino primário, tendo duração de quatro anos, tornouse “obrigatório” para as crianças com idade mínima de sete anos. Ao "nalizar o ensino primário, o aluno poderia fazer curso técnico ou tentar cursar o ensino secundário; o que atualmente corresponde ao atual ensino médio. Para ingressar no ensino secundário o aluno deveria passar por um exame de admissão. Aprovado no exame, ele "caria quatro anos fazendo a primeira fase do ensino secundário, denominado ginasial, que tinha como objetivo curricular passar elementos fundamentais do ensino secundário aos adolescentes. O currículo de tal fase abrange um conjunto de disciplinas distribuídas em três grandes áreas: Línguas (português, latim, francês e inglês); Ciências (matemática, ciências naturais, história geral e do Brasil, geogra"a geral e do Brasil); Artes (trabalhos manuais, desenho e canto orfeônico). Como opção, ao terminar o ginasial o estudante poderia tornar-se professor de ensino primário ou continuar seus estudos cursando a segunda fase do
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