7 Ensayos 90 años

290 Sara Beatriz Guardia escolar conduzida maioritariamente pela igreja católica estava orientada para atender exclusivamente os "lhos da elite rural. Enquanto a esmagadora maioria da população se encontrava fora do ensino escolar. Para exempli"car as características da educação escolar de tal período, em alguns momentos utilizaremos a geogra"a enquanto disciplina para melhor localizar o projeto de educação que veio sendo construído. Até as décadas de 1920 e 1930 o ensino de geogra"a sofreu poucas alterações. Porém é importante ressaltar que foi no século XIX, com a criação do Imperial Colégio de Pedro II, que a Geogra"a escolar passou a ter status de disciplina. Com a mudança do Brasil Colônia para o Brasil Império, logo depois Brasil República, a elite aristocrática cria a necessidade de construir o cidadão brasileiro com bases aristocráticas, e a Geogra"a escolar, assim como a história, passou a servir como ferramenta ideológica para tal empreitada. A classe burguesa aparecendo com grande expressão nesse contexto, procurando se a"rmar como classe hegemônica, via tal ensino contrário aos seus interesses e demandas por mão-de-obra. Esta, inspirada nos ideais de crescimento econômico-industrial norte-americano, buscou construir sua proposta para a educação embasada na política educacional dos Estados Unidos. Os teóricos norte-americanos do currículo ligados as teorias tecnocráticas, Bobbitt e Tyler, e os ligados as teorias progressistas, Dewey e Kilpatrick, esses com maior força, como já foi apresentado, passaram a ser estudados por professores e intelectuais no Brasil. (Moreira, 1990) Com o enfraquecimento da elite rural, em decorrência da grande crise econômica ocorrida no período entre a Primeira e a Segunda Guerra Mundial, a década de 1930 foi o momento em que a classe burguesa urbano-industrial passa a ter maior representatividade nas decisões do Governo Federal. A tomada do poder político por Getúlio Vargas representou o grande marco do fortalecimento político da nascente burguesia e do aparecimento da classe proletária enquanto agente político. Segundo Zotti (2011, p.1) “A ‘Revolução de 1930’ marca um momento de reacomodação dos interesses dominantes com a substituição do modelo capitalista dependente agrário-exportador, pelo modelo, igualmente capitalista e dependente, urbano-industrial, que irá tornar-se hegemônico a partir de 1945.” Tal momento histórico é crucial para entendermos o processo que tornou o ensino básico, especialmente o nível médio, uma questão de política nacional. Até o início do século XX, seguindo o modelo francês, o ensino médio, tendo o

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