7 Ensayos 90 años

289 Ponencias del Simposio Internacional 7 ensayos | 90 años “No es posible democratizar la enseñanza de um país sin democratizar su economía y sin democratizar, por ende, su superestructura política.” (Mariátegui, 1970, p. 97-98) Por mais que o governo tenha investido na restruturação da educação, a economia e a estrutura política inda estava concentrada nas “mãos” da oligarquia peruana. Com a reforma, passou-se a ter uma grande distância entre a lei orgânica de educação e a prática nos sistemas de ensino. Como outros países latinos americanos, o Brasil teve um contexto histórico muito próximo a realizada vivida pela sociedade peruana. As análises densas e assertivas de Mariátegui que buscamos apresentar no presente texto podem nos ajudar a identi"car elementos importantes na formação de nossa política educacional. Com isso, acreditamos que o estudo da educação a partir de marcos políticos, econômicos e sociais auxilia a visualizar a caminhada realizada por sujeitos de classe popular por uma educação democrática e de qualidade. A seguir ensaiaremos uma narrativa das políticas educacionais de nosso país que busque desvendar sujeitos e seus interesses, em muitos momentos, antagônicos ao clivo de uma sociedade que se quer democrática, ao menos em seus marcos constitucionais. Por "m apresentaremos a profunda transformação de sentido que a educação pública recebe na Constituição Federal de 1988, concatenado no termo gestão democrática da educação. III. Os projetos de educação pública no Brasil Realizamos a opção por termos como ponto histórico de início o século XX, pois, como Dávila (2006), compreendemos que a primeira metade do século XX fundou uma educação escolar inserida num projeto de sociedade que marcou de forma profunda a manutenção das castas sociais em nosso país, em diálogo com importantes transformações econômicas, sociais, culturais, políticas e ideológicas. Nas primeiras décadas do século XX, o Brasil passava por seu processo inicial de industrialização e, com isso, de crescimento da classe burguesa urbano-industrial, que, a "m de defender seus interesses, se inseriu gradativamente no poder político governamental. Até esse momento a política do governo brasileiro era conduzida exclusivamente pela elite rural, que apresentava fortes características aristocráticas. Esta elite, associada aos interesses da igreja católica, a qual estava interessada em retornar com o período em que tinha o monopólio da educação, defendia a manutenção da pedagogia tradicional de caráter Clássico Humanista, pautada na educação enciclopédica de in#uência francesa. Contudo, a educação

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