286 Sara Beatriz Guardia O movimento pela reforma universitária, na verdade, representa a denúncia do velho sistema educativo, o surgimento de novos atores sociais no painel político-nacional e uma tentativa de ruptura com o passado aristocrático, elitista e classista na Academia, abrindo a possibilidade, mesmo que restrita, para mudanças políticas mais profundas. (Pericás; 2006, p. 184) Em 1920 foi realizado um congresso pela Federação de Estudantes. O evento teve a participação de estudantes de todas as universidades peruanas. Nele foi elaborada a proposta de construção de Universidades Populares. Elas seriam destinadas ao proletariado e as camadas pobres da população como estratégia de democratização do ensino aos trabalhadores. Inúmeras Universidades Populares foram construídas em Lima. Sem apoio do governo, sustentavam-se por contribuições de algumas instituições de ensino, políticos e intelectuais de esquerda. Envolvido com as movimentações políticas, apoiando às greves e reivindicações dos trabalhadores e do movimento Universitário, via imprensa, Mariátegui, em 1923, foi convidado a ministrar aulas na Universidade Popular González Prada de Lima. Em suas aulas abordava temas como crise mundial e políticas internacionais. Com a intensi"cação das greves dos operários e as manifestações contra o governo promovida pelos estudantes, o ditador Leguía e os governos locais comandaram ações de repressão cada vez mais intensas. A "m de desarticular os movimentos contra e governo, várias lideranças sindicais, estudantis e professores das universidades populares foram presos. As universidades em Lima foram interditadas pelo governo. Nesse momento, Haya, grande líder político de esquerda, designa Mariátegui a diretor interino da revista Claridad (publicação o"cial das Universidades Populares). Mariátegui torna a revista o instrumento de representação da Federação Operária Local de Lima e da Juventude Livre do Peru. A revista torna-se o principal meio de divulgação e conscientização dos trabalhadores. Após a esses ocorridos, muito marcado por sua trajetória de luta, em 1925 publica seu primeiro livro La escena contemporânea, em 1928 publica o que seria o seu trabalho mais conhecido, o livro Sete ensaios de interpretação da realidade peruana. Ambos lançados pela editora fundada por Mariátegui e seu irmão Julio César. Neste livro o autor, que a exatos 90 anos fora publicado, propôs uma nova leitura da realidade peruana, ao articular uma explicação que parte da análise econômica e da organização política e administrativa regionalista do país; passa pelos problemas da educação, da religião e da produção literária, chegando a interpretação realiza sobre a população indigena. Utilizando-se do materialismo histórico para entender a formação social do Peru, tem como ponto de partida de
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