285 Ponencias del Simposio Internacional 7 ensayos | 90 años Dos 2,7 milhões de habitantes em 1876, o número de cidadãos aumentou para 3,5 milhões em 1908 e chegaria a 4,8 milhões em 1920, enquanto a capital, Lima, seria responsável por um crescimento populacional ainda mais agudo. Entre 1908 e 1920, a população, composta de criollos, de migrantes do interior, camponeses, imigrantes estrangeiros (entre eles, muitos italianos e chineses), funcionários públicos e operários, cresceria de 141.000 para 224.000 habitantes, tornando aquela metrópole o principal centro "nanceiro e administrativo do país. A primeira “favela” limenha começaria a surgir em seus arredores em 1903, ainda que a infra-estrutura da cidade, de forma geral, claramente melhorasse, com o incremento do saneamento e dos serviços de saúde. (Pericás; 2006, p. 178-179) Com o crescimento do número da população urbana, surge novas formas de organização dos trabalhadores na luta por direitos (federações obreras, sociedades de socorro mútuo, grêmios anarquistas e anarco-sindicalistas e jornais proletários). Em 1910 e 1919 são realizadas inúmeras manifestações e greves, tanto no espaço urbano, quanto no rural. Nesse período o Peru passa a ter importantes representantes políticos de interesses do proletariado. Guillermo E. Billinghurst, presidente entre 1912 e 1914, foi o líder político mais alinhado a tal contexto de insurgência dos trabalhadores peruanos. Realizou políticas de melhoria das condições de habitação e educação dos trabalhadores, legitimou o direito de organização e de greve pelos operários e baixou o custo dos alimentos. O que, certamente, não agradou a elite oligárquica e a industrial do país. Somado a sua intervenção na redução do orçamento governamental para as Forças Armadas, sofreu um golpe militar de Estado, que fez do general Oscar Benevides presidente por dois anos. Em seguida houve eleição e José Pardo, político representante a elite peruana, torna-se presidente. Nesse período, os trabalhadores de Lima veem o seu custo de vida dobrado e a escassez de determinados alimentos. Ocorre inúmeras greves como resposta as medidas do governo. Em 1919 é realizada uma greve geral. As demandas do movimento grevista se concentravam na redução da jornada de trabalho para oito horas e no barateamento dos preços dos alimentos (Pericás; 2006). Em paralelo a esse período e articulado com as demandas das manifestações dos trabalhadores peruanos, o movimento estudantil do ensino superior passou a se organizar e questionar a estrutura da educação do país. Criticavam a pertinência da estrutura alinhada ao projeto oligárquico, restrita a formação literária e retórica dos sujeitos da elite, que tinha o acesso à educação como privilégio, assim como o uso das riquezas do país. Os estudantes passam a denunciar o velho sistema educativo alinhado ao passado aristocrático e a reivindicar uma reforma na educação básica e universitária, com base no surgimento de novos atores sociais (operários, camponeses).
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