7 Ensayos 90 años

227 Ponencias del Simposio Internacional 7 ensayos | 90 años Porém, a frase laissez-faire, observou Keynes, não se encontra nas obras de Adam Smith, Ricardo e Malthus. Até a ideia não se encontra de forma dogmática em qualquer um desses autores. O economista inglês ainda salientou que nas três últimas décadas do século XIX os mais renomados economistas ingleses, até mesmo os ortodoxos, declararam que a máxima do laissez-faire não tem qualquer base cientí"ca, mas, na melhor das hipóteses, tratou-se de uma simples regra cômoda para a prática. Por conseguinte, Keynes elucida-nos: Esclareçamos desde o início os princípios metafísicos ou gerais sobre os quais, de tempos, se fundamentou o laissez-faire. Não é verdade que os indivíduos possuem uma “liberdade natural” prescritiva em suas atividades econômicas. Não existe contrato que con"ra direitos perpétuos aos que os têm ou aos que os adquirem. O mundo não é governado do alto de forma que o interesse particular e o social sempre coincidam. Não é administrado aqui embaixo para que na prática eles coincidam. Não constitui uma dedução correta dos princípios da Economia que o auto-interesse esclarecido sempre atua a favor do interesse público. Nem é verdade que o auto-interesse seja geralmente esclarecido; mais freqüentemente, os indivíduos que agem separadamente na promoção de seus próprios objetivos são excessivamente ignorantes ou fracos até para atingi-los. A experiência não mostra que os indivíduos, quando integram um grupo social, são sempre menos esclarecidos do que quando agem separadamente. (Keynes, J. M., 1984, p. 120). Neste sentido, a partir das ideias de Keynes podemos concluir que não se pode basear em fundamentos abstratos para estruturar as atividades econômicas. A partir desse ponto sublinhamos a dialética que acompanhou o surgimento e consolidação do Império Britânico no século XIX, quando o liberalismo econômico foi deslocado pelo mercado e sociedade de massa. O Império Britânico foi responsável pela implementação da grande indústria pelo mundo. Sua primeira experiência foi o tipo de colonização empreendido na Índia, através do desenvolvimento das indústrias têxteis. Nesse movimento do Império Britânico podemos perceber que a grande indústria lança tal massa humana nos ramos ainda não dominados por ela, ou neles produz tal superpopulação relativa quanto o necessário para transformar o artesanato ou pequena empresa, formalmente capitalista, em grande indústria30. 30 Marx, Karl. O capital livro I capítulo VI (inédito). Tradução: Eduardo S. Filho, revisão: Célia Regina de A. Bruni. São Paulo: Ciências Humanas, 1978.

RkJQdWJsaXNoZXIy MjgwMjMx