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226 Sara Beatriz Guardia tinha sido a ideia-força do movimento, agora seria traduzido em instituições que se sobreporiam a uma realidade social adversa, quando não incompatível com ele – como no caso do trabalho escravo ou servil. Mas seria ele, e sua adesão aos objetivos de civilização do Ocidente, ou a desordem do poder local sob o império dos caudilhos. O liberalismo político nasce, portanto, sob o estigma da ordem e da autoridade, com a função de fornecer sustentação ideal ao estabelecimento de um Estado nacional, e não para consagrar a liberdade29. O liberalismo peruano, segundo Mariátegui, é débil e formal no plano econômico, político, como também no religioso. Contudo, para compreender tal debilidade é necessário examinar os caminhos e descaminhos do liberalismo econômico que hegemonizou o mundo naquele período no qual as colônias ibéricas proclamavam sua Independência. Portanto, voltemos a recorrer ao ensaio de Keynes sobre o tema: O "m do “laissez-faire” (1926). Neste ensaio o economista inglês descreveu as necessidades e a origem do liberalismo econômico, que por conveniência denominou-se laissez-faire. Seu objetivo era mostrar que esse fundamento não era aplicável a uma sociedade que busca o bem-estar social de todos os indivíduos. Para tanto, Keynes fez uma análise histórica do surgimento da doutrina do laissez-faire. Através dessa análise o economista inglês pode concluir que no início do século XIX, o que propiciou as bases de tal doutrina foi a "loso"a política ao professar a harmonia divina entre o lucro privado e o bem público. Consequentemente, o "lósofo político poderia ser substituído pelo homem de negócios, pois este conseguiria atingir o bem supremo do "lósofo, simplesmente através da procura do seu lucro pessoal. No entanto, para realçar as bases da doutrina do laissez-faire Keynes evidenciou quais os fatos que cimentaram esses alicerces. Em primeiro lugar, a corrupção e a incompetência dos governos do século XVIII, dos quais muitos legados sobrevivem no século XIX. Por outro lado, o progresso material entre 1750 e 1850 veio da iniciativa individual, e quase nada "cou a dever à in#uência intervencionista da sociedade organizada como um todo. Então, pelo menos aparentemente, a vida econômica deveria seguir seu rumo sem regulamentos e com ação limitada do Estado, à aptidão e bom senso de cidadãos individualistas, impelidos pela admirável motivação de subir na vida. 29 Werneck Vianna, Luiz J. Americanistas e iberistas: a polêmica de Oliveira Vianna com Tavares Bastos. In: A revolução passiva: americanismo e iberismo no Brasil. Rio de Janeiro: Revan, 1997. p. 125 – 172.

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