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228 Sara Beatriz Guardia O singular processo de colonização inglês teve como peculiaridade aplicar a culturas, inicialmente adversas ao processo capitalista de produção, uma modernização conservadora a qual empreende a subsunção real do trabalho ao capital. A subsunção formal ocorre através de mudanças moleculares que resulta na subordinação do processo de trabalho – qualquer que seja a forma que se efetue – ao capital. Nessa base, entretanto, se ergue um modo de produção tecnologicamente especí"co que metamorfoseia a natureza real ao processo de trabalho e suas condições reais: o modo capitalista de produção. Somente quando este entra em cena, se dá à subsunção real do trabalho ao capital. Nisso se insere o papel do Império Britânico e sua busca por mercados de massa para a venda e produção de seus produtos. Neste período quando ocorreu a emancipação das colônias ibéricas, era ascensão do Império Britânico como principal representante dos interesses da civilização capitalista. Sendo que o desenvolvimento de"nitivo do capitalismo exigia sua expansão para o mercado mundial. Abria-se uma nova fase na divisão social do trabalho, que seria hegemônica no mundo, e envolveria a relação entre capitalistas e trabalhadores31. Ciente deste contexto, Mariátegui examinou a situação atrasada de seu país – como nos demais países da América Latina – em relação aos países de capitalismo maduro, situados no Norte do mundo, indicando as incompatibilidades entre as raízes culturais da América Ibérica e os processos de modernização que prevaleceram nestes últimos. História, sim, de subordinação, primeiro colonial e, após a Independência, de articulação dependente com o mundo desenvolvido. Nunca, porém, fruto da representação de uma sociedade tradicional clássica, que se orienta para a reprodução de si mesma e inibe as forças da mudança em razão do caráter do seu sistema político e dos valores de conservação que nela prevalecem32. Nesse sentido, observou o peruano que na América Ibérica existia ainda que fosse embrionariamente, uma burguesia que, a causa de suas necessidades e interesses econômicos, podia e devia contagiar-se do humor revolucionário da burguesia europeia e norte-americana. O pensador peruano destacou que no plano da história mundial, a Independência sul-americana se apresentou decidida pelas necessidades de desenvolvimento do capitalismo. Segundo Mariátegui, o ritmo do fenômeno capitalista teve na elaboração da Independência uma função menos aparente 31 Hobsbawm, Eric. Introdução, op.cit. p. 33. 32 Werneck Vianna, Luiz J. Americanistas e iberistas: a polêmica de Oliveira Vianna com Tavares Bastos, op. cit.

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