225 Ponencias del Simposio Internacional 7 ensayos | 90 años a maior parte dos proprietários de terras, os gamonales, gastavam a renda que auferiam da terra. Em torno de algumas dezenas de milhares de famílias dos gamonales, de maior ou menor importância econômica, com as suas cortes de servos e lacaios, é que se organizava a vida prática de uma parte ponderável da cidade, com as suas indústrias artesanais, seu comércio ambulante, e com a pulverização incrível da venda de mercadorias e serviços entre os desempregados que circulavam pelas ruas26. No entanto, ao pioneer espanhol, segundo Mariátegui, carecia, ademais, de atitude para criar núcleos de trabalhos. De acordo com o pensador peruano, somente os jesuítas, com orgânico positivismo, mostraram no Peru, como em outras terras da América, uma atitude de criação econômica. Os colonizadores se preocuparam quase unicamente com a exploração do ouro e da prata peruanos, que eram encontrados na Serra, e, para tanto utilizaram mão de obra indígena aplicando a mais-valia absoluta27. Para o trabalho nas fazendas litorâneas, recorreu-se à importação de escravos negros; portanto, Mariátegui evidenciou que aos elementos e característicos de uma sociedade feudal, acrescentaram-se elementos e característicos de uma sociedade escravistas. Essas foram as bases históricas da economia peruana; no século XIX ocorreu um fato político que fundaria uma nova etapa para esta sociedade peruana. Tratase da proclamação da Independência e subsequentemente a constituição da República. Na Independência como na Conquista a economia foi extraída de um fato político e militar. Mariátegui ressaltou que a revolução de Independência sulamericana foi inspirada e movida pelos interesses da população criolla e, ainda, da espanhola, muito mais do que pelos interesses da população indígena2828. O pensador peruano advertiu que naquele momento a economia colonial transformava-se, aos poucos, numa economia burguesa; entretanto, no contexto do mundo não deixava de ser uma economia colonial. A Independência consistiu, na Ibero-América, numa ruptura real, pondo todo um subcontinente diante do imperativo de fazer história, e se o liberalismo político 26 Uma análise sobre a constituição da sociedade em volta da economia da cidade ver Gramsci, Antonio. Americanismo e fordismo In: A Maquiavel, a política e o Estado Moderno. 3ª ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1991. p. 375 – 413. Como também Carvalho, Maria Alice R. de. Uma Nápoles Carioca. In: Quatro vezes cidade. Rio de Janeiro: Sette Letras, 1994. p. 123 – 125. 27 Mariátegui, J. C. Esquema da evolução econômica, In: Sete ensaios de interpretação da realidade peruana, op. cit. p. 15. 28 A respeito do papel do índio na sociedade peruana ver MARIÁTEGUI, J. C. O problema do índio. In: Sete ensaios da realidade peruana. op. cit. p. 21 – 31.
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