82 AS MULHERES NA HISTÓRIA: SUBVERSÃO, DESORDEM, MOVIMENTO E POTÊNCIA Losandro Antônio Tedeschi1 Universidade Federal da Grande Dourados/UFGD. Brasil. Sirley Lizott Tedeschi2 Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul/UEMS. Brasil. Resumo Neste artigo, analisamos a potência produtiva e criativa de práticas de resistência na história das mulheres contra os efeitos das relações de poder instituídas que assujeitam e aviltam a vida. A análise a partir das contribuições de Michel Foucault, mostra que as práticas de resistência na história das mulheres, contra os efeitos de poder do mandato patriarcal, são ações que podemos chamar de menores, de desviantes, mas com força para produzir espaços de liberdade. Palavras-chave Poder, Resistência, Subjetivação, Mulheres, História. 1- Introdução No texto Sobre a genealogia da ética, que compõe a obra Ditos e Escritos IX, Foucault (2014) diz que seu trabalho se desenvolve a partir de três importantes domínios genealógicos. O eixo da verdade, desenvolvido em O nascimento da clínica e em A arqueologia do saber, que apresenta uma ontologia histórica de nós mesmos em nossas relações com a verdade; o eixo do poder, apresentado em Vigiar e Punir, em que desenvolve uma ontologia histórica de nós mesmos em nossas relações com um campo de poder; e o eixo da moral, apresentado em A História da Sexualidade, em que apresenta uma ontologia histórica de nossas relações com a moral e que possibilita nos constituirmos como agentes éticos. Deleuze (2013) diz que Foucault, para desenvolver sua análise, promove três deslocamentos teóricos. O primeiro deslocamento foi necessário para analisar o progresso do conhecimento – perguntar pelas formas de práticas discursivas que articulam o saber; o segundo deslocamento possibilitou analisar as manifestações do poder – perguntar pelas relações múltiplas, pelas estratégias abertas e pelas técnicas racionais que articulam o exercício dos poderes; o terceiro deslocamento levou à análise 1 Doutor em história Latino-Americana, professor no mestrado/doutorado na UFGD. Coordena a Cátedra UNESCO em Gênero, Diversidade Cultural e Fronteiras. 2 Doutora em Educação, professora nos programas de Pós-Graduação mestrado profissional em Educação e História da Universidade Estadual do Mato Grosso do Sul – UEMS.
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