Centro de estudios, la mujer en la historia de américa latina

Regina Kohlrausch – Nathalia Maynart Cadó 337 ainda não seria a mesma, mas considerava que assim que as mudanças sociais começassem a surgir, aos poucos as mulheres iriam incorporando e conquistando cada vez mais direitos. Em resumo, Alfonsina Storni já era consciente de que em outros países no mundo era possível divorciar-se. Em sua visão de mundo, esse recurso era barrado na Argentina pelo fato de o país ainda estar vivendo à luz de um conservadorismo enraizado e resistente frente a um processo de modernidade e urbanização; dessa forma, esses dois lados viviam em constante tensão. Para a reivindicação dos direitos das mulheres, essa disputa era prejudicial, já que seus direitos eram muito discutidos e, ao mesmo tempo, lentamente conquistados. Com o divórcio não foi diferente, pois tal quesito também envolvia uma conquista feminina e, tão delicado quanto isso, uma transformação na norma familiar. A contribuição de Storni frente a tais situações, através de seus textos, foi destacar tais descontentamentos e construir posicionamentos ideológicos sólidos sobre os mesmos, divulgando, em meios públicos, a relevância em trazer questões de gênero a todos os cenários sociais da capital portenha. 2 Mulheres Na História de Nuestro Tiempo Andradina de Oliveira e Alfonsina Storni, mulheres latino-americanas, escritoras, professoras, jornalistas, poetas, dramaturgas, ingressaram na história e fazem parte da história graças a ousadia em ultrapassar a condição de dona de casa ou de “sagrada esposa e mãe”. Influenciadas pelas mulheres das gerações anteriores ou por suas ancestrais, assumiram para si a continuidade da luta a favor da mulher, ou seja, ao direito da mulher a receber uma educação formal, a ter direito a uma profissão e a trabalhar fora do lar como forma de se autossustentar antes, durante ou depois do casamento ou, simplesmente, se autossustentar independente de contrair uma vida conjugal. Elas, Andradina e Alfonsina, defenderam o direito ao divórcio numa época em que predominava um conservadorismo exacerbado, marcado pelo patriarcalismo, reivindicando as mesmas condições ou os mesmos direitos para homens e mulheres. Elas fizeram a sua história de vida pensando na história de vida das demais mulheres. Para a sua história, aproveitaram, rompendo barreiras, os espaços na imprensa para publicar seus textos e posicionar-se a frente de seu tempo. Neste sentido, parafraseando Andradina de Oliveira “este texto não é somente um texto de história de mulheres, é também um brado de indignação contra a ainda injusta e esmagadora situação das mulheres fora da história”. Referências ACADEMIA LITERÁRIA FEMININA DO RIO GRANDE DO SUL. 50 anos de literatura: perfil das patronas. Porto Alegre: IEL, 1993. DELGADO, J. Alfonsina Storni: una biografía esencial. Buenos Aires: Debolsillo, 2010.

RkJQdWJsaXNoZXIy MjgwMjMx