Centro de estudios, la mujer en la historia de américa latina

A história das mulheres e as mulheres na história: Andradina de Oliveira e Alfonsina Storni 326 produção literária é mencionada em dicionários de escritores sul-rio-grandense, conformando, portanto, o registro na história brasileira. Em relação à sua atuação na imprensa, colaborou com o Almanaque literário e artístico do Rio Grande do Sul, Rio Grande, 1882 a 1885 e 1899, com o Corimbo, jornal de Rio Grande e Violeta, revista de Cuiabá, MT, e fundou o jornal O Escrínio – Hebdomadario Litterario, Instructivo e Noticioso (sic), que circulou primeiro em Bagé, onde surgiu em 02 de janeiro de 1898, depois em Santa Maria, e, posteriormente, em Porto Alegre, para onde foi transferido em 12 de junho de 1901, conforme Rosa Cristina Hood Gautério (2011), pesquisadora do periódico. Considerando os textos publicados em O Escrínio, como afirma Schmidt (2004), estão diretamente associados ao seu tempo e ao seu lugar porque neles incidem o impacto de condições sociais de época e de circunstâncias pessoais intensamente vividas sob a forma de questionamentos e reflexões que convergem sempre a um núcleo primeiro, a consciência de ser mulher em uma sociedade ainda não preparada para aceitar o sujeito feminino em seu legítimo direito. (Schmidt, 2004, p.835). Essa “consciência de ser mulher”, destacada por Schmidt, encontra-se, como expõe Gautério (2011: 518), no edital de lançamento do jornal, em 1898, no qual Andradina “legitima um espaço onde possibilita dar voz à mulher urbana e educada que começava a interagir com a sociedade e o mundo a sua volta”. No trecho do editorial, transcrito pela pesquisadora, Andradina se apresenta como filha desta terra e justifica sua intenção com seu periódico: Fundado por uma filha desta encantadora terra, por fervorosa defensora do seu sexo, o Escrínio surge, também como um incitamento à mulher rio-grandense, convidando-a a romper o denso casulo da obscuridade, e vir à tona do jornalismo trazer as pérolas da sua cultivada inteligência! (Gautério, 2011, p. 518). Esse chamado à mulher está em consonância com a compreensão de Andradina sobre a necessidade de garantir educação para a mulher. Para ela, a educação, além de preparar a mulher para a missão de “sagrada esposa e mãe”, é, também, “um instrumento que lhe permite dar maior independência às mulheres”, destaca Gautério (2011, p. 518). Em função disso, para a pesquisadora, o periódico O Escrínio tem um caráter propagandístico do direito à instrução: Embora ainda sob à luz positivista que reiterava a doutrina utilitária dando às mulheres valores segundo interesses sociais (...), O Escrínio apareceria também como um periódico “Propagandista da instrução” entendendo que a mulher instruída seria um importante auxílio ao marido nas “lutas pela vida, trabalhar, seja em que for, a seu lado, sem descuidar dos deveres domésticos. (Gautério, 2011, p. 519).

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