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254 Sara Beatriz Guardia Esses modelos de trabalho não têm correspondência no velho mundo europeu. Sendo, pois, criados para a produção de mercadorias destinadas ao mercado mundial e articuladas no recente espaço-tempo globalizante em sintonia com distintas especi"cidades territoriais; a escravidão, a servidão e o assalariamento americanos são categorias inteiramente novas, totalmente subordinadas às ideologias de inferiorização racial engendradas pelo sistema colonial. A ideia de raça é, então, uma construção social associada á subjugação da força de trabalho, sendo ao mesmo tempo "lha da ideologia eurocêntrica e mãe da colonização americana. Enquanto categoria mental da modernidade, atravessa e funda relações sociais produtoras dos tipos humanos índio, negro, mestiço e mais tarde europeu. Enquanto instrumento de classi"cação das populações, a raça engendra hierarquias e seus correspondentes papéis, chancelando a legitimidade da dominação imposta via conquista. O processo de racialização perpassa a construção da América enquanto a primeira identidade da modernidade, codi"cando as diferenças entre os conquistadores e os conquistados, demarcando o estabelecimento das superioridades. Junto ao controle do comércio e à extração do ouro, as formas históricas do controle do trabalho e dos recursos da produção (matéria-prima) são atualizadas. No plano da dominação ideológica, "car uma nova narrativa através da colonização das perspectivas cognitivas também é importante. Aqui, o sentido do progresso histórico demarca os processos de aculturamento, situando os povos dominados e inferiorizados, tidos como anteriores e por isso atrasados em relação aos europeus, sendo chamados, inclusive, de pré-históricos. Conformado via controle das novas formas indenitárias confeccionadas via individualização da cultura, o sistema mundo, construto moderno de novo tipo que substitui os antigos mundos dispersos em conexões descontínuas, funda-se no tripé colonialidade, capitalismo e eurocentrismo. Desse encontro, a América, gestante de si própria, radicaliza a novíssima temporalidade territorial, sintetizando três continentes numa única civilização, futurista por princípio conquanto mostra-se incapaz de escapar do cativeiro de seu passado. Recuperando as re#exões sobre o problema da terra e tendo como "o condutor a tríade conceitual imperialismo-dependência-colonialidade, rea"rmamos a primazia do aspecto material sobre o qual fundamenta-se a dominação, situando-a em suas conexões e articulações internacionais. No plano dos arranjos descontínuos que costuram o estabelecimento do poder, enfatiza-se também os aspectos da subordinação centro-periferia, atualizado na leitura dos sistemas ideológicos que dão substrato às práticas e discursos da colonialidade.

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