252 Sara Beatriz Guardia o desenvolvimento torna-se uma cartilha a ser desenvolvida enquanto política econômica pelos estados. Dos Santos (2000) nos lembra da versão mais radicalizada dessa teoria, segundo a qual todas as sociedades pré-capitalistas uni"cam-se sob o rótulo de tradicionais. Deve-se, pois, trabalhar na direção do“arranque”, momento pelo qual passaram a Inglaterra em 1760 e os EUA no pós-guerra civil.“(...) desenvolvimento passou a ser um modelo de ações que ocorreriam em determinados países que reunissem as condições para a decolagem” (Dos Santos, 2000. P.20) Na medida em que o tema do desenvolvimento passa a ocupar posição relevante nos debates internacionais, são criadas ferramentas para in#uenciar a direção das políticas adotadas pelos Estados. O surgimento da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL) está inserido nesse contexto. Pensada nos marcos dos esforços organizados pela recém-criada Organização das Nações Unidas (ONU), a CEPAL traz consigo o objetivo de decifrar os mecanismos que bloqueiam o desenvolvimento sócio- econômico dos países latinoamericanos; partindo desse diagnóstico, deveria então sugerir um conjunto de políticas capaz de fazê-los supera a condição de subdesenvolvidos. Talvez pela primeira vez o vocábulo Desenvolvimento apareça em distintos documentos de uma organização internacional. Cabe lembrar que nessa época o sistema mundo era marcado pela transição do pós-Guerra onde a hegemonia dos Estados Unidos buscava a"rmar-se sob moldes que resguardariam sua tradição como ex-colônia e de certa forma alheia aos ímpetos da anexação territorial direta de outros países. A CEPAL era uma organização emanada dos governos latinoamericanos e um órgão encarregado da proposição de políticas e assessoria a governos. Seus estudos se concentraram nas políticas capazes de viabilizar o processo de industrialização procurando superar os obstáculos ao desenvolvimento (Dos Santos,2000. P. 71). O pensamento cepalino, em que pese os esforços por integrar novas agendas e temas de pesquisa, em sua primeira fase ainda não conseguia escapar totalmente da tradicional explicação para o subdesenvolvimento, elaborada a partir das teorias do crescimento econômico e da modernização. A interpretação que dirigia esse raciocínio construía modelos evolutivos onde a situação de atraso era uma etapa a ser superada. Os tipos ideias a serem alcançados eram os países capitalistas avançados, representantes do ponto ótimo do almejado desenvolvimento. É na década de 1960, diante da conjuntura marcada pelo avanço de regimes de tipo militar-ditatoriais sobre o continente, que as circunstâncias abrem a
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