250 Sara Beatriz Guardia territoriais e nacionais. Os impérios, na antiguidade, eram mundos fechados, organizados como sociedades tributárias sob o contexto da guerra permanente e da escravidão generalizada. O tipo de império, no sentido medieval e religioso, que operava por dominação via tributação, deu lugar a outro, que expandiu seu poder via grandes navegações do século XVI e das expansões mercantilistas do século XVII – Portugal, Espanha, Holanda, Inglaterra e França. Apenas na chamada era imperialista houve a con#uência e o apogeu da noção de império do lado da noção de imperialismo. Fala-se mesmo de continuidade da tradição ao lado de novas relações de acumulação de poder e de capital que só vieram a ser rompidas com a extinção dos grandes impérios no "m da chamada Primeira Guerra Mundial – quais sejam: Russo, Alemão, Turco-Otomano e AustroHúngaro. As monarquias, os impérios que sobreviveram e seus resquícios coloniais foram sendo subordinados a novos contextos de relações de poder abertos a partir de três processos: a Revolução Russa (1917), o novo poder dos Estados Unidos e as experiências de descolonização da primeira metade do século XX. A monarquia inglesa e seu império colonial foram a expressão e a ponte para o imperialismo, incidindo diretamente sobre os eventos que de"niram a superação formal e parcial do colonialismo. Os novos estados nacionais estavam inseridos no plano da subordinação política e da dependência econômica, sendo que o cruzamento e a relação entre a forma política e a forma econômica delimitam o campo de de"nição dos conceitos e desa"os propostos para a interpretação do que é o imperialismo. O imperialismo como consequência e forma dominante do capitalismo ao longo do século XX condensa e articula a dimensão político-militar, a dimensão da exploração e acumulação capitalista em escala mundial e as formas culturais e ideológicas de autorização da missão civilizatória. A teoria do imperialismo não se aplica apenas aos con#itos Inter imperialistas que marcaram a primeira metade do século XX; tampouco pode ser reduzida à atualização de mecanismos colonialistas; ela é a síntese de tendências que articulam e orientam o vetor da acumulação capitalista com o desenvolvimento desigual das relações de poder de raça, gênero e classe e do seu antagonismo em escala mundial. O imperialismo, portanto, é o conjunto das formas e feições do regime de acumulação que garante a reprodução do domínio do capital em escala internacional, manejando o desenvolvimento desigual e combinado das diferentes formações sócio espaciais nacionais; é também o quadro geral e ampliado de relações de subordinação das periferias e semiperiferias aos centros no plano da conformação estatal do sistema mundo.
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