234 Sara Beatriz Guardia incluindo sua relação com as economias do Norte do mundo. Nesse sentido, Mariátegui também fez um exame sobre a política econômica realizada entre o Norte e o Sul do mundo, ou de outra perspetiva entre Ocidente e Oriente, destacando o Oriente localizado no extremo Ocidente da América Ibérica: o Peru. Podemos observar que esse conjunto de fatores que caracterizavam a economia peruana em 1928, proporcionariam um impulso importante para o desenvolvimento de um capitalismo tardio. No entanto, Mariátegui ainda destacou o seguinte: Assinalarei uma constatação "nal: a de que no Peru atual coexistem elementos de três economias diferentes. Sob o regime de economia feudal, nascido da Conquista, subsistem na serra alguns resíduos ainda vivos da economia comunista indígena. No litoral, sobre um solo feudal, cresce uma burguesia que, pelo menos em seu desenvolvimento mental, dá a impressão de uma economia retardatária. (Mariátegui, J. C., 1975, p.14). De acordo com Mariátegui, o índio, que representava as quatro quintas partes da população peruana, era tradicionalmente agrícola. Não obstante, o incremento da mineração e surgimento da indústria no litoral, o Peru mantinha seu caráter de país agrário. O cultivo da terra, até 1928, ocupada a grande maioria da população nacional. Segundo o pensador peruano: A partir de 1925, em consequência da baixa dos preços do açúcar e do algodão, e pela diminuição das colheitas, as exportações da mineração ultrapassaram extraordinariamente as da agricultura. A exportação do petróleo e de seus derivados, em rápido Ascenso, in#ui poderosamente neste sucesso. (...) Mas a produção agropecuária está representada apenas em parte nos produtos exportados: algodão, açúcar e derivados, lãs, couros, borrachas. Mas a agricultura e a pecuária nacionais abastecem o mercado interno, enquanto os produtos da mineração são exportados quase na sua totalidade. (Mariátegui, J. C., 1975, p. 14-15). Mariátegui observou que no Peru a classe latifundiária não conseguiu se transformar numa burguesia capitalista, dona da economia nacional. A mineração, o comércio e os transportes encontravam-se nas mãos do capital estrangeiro. Os latifundiários contentavam-se em servir-lhes de intermédio na produção de algodão e açúcar. Este sistema econômico conservou, na agricultura, uma organização semifeudal que se constituiu no mais pesado lastro do desenvolvimento do país40. 40 Mariátegui, J. C., Esquema da evolução econômica. In: Sete ensaios de interpretação da realidade peruana, op. cit. p. 29 – 30.
RkJQdWJsaXNoZXIy MjgwMjMx