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220 Sara Beatriz Guardia sentido, a menção que Mariátegui fez as ideias de Nietzsche, bem pode sinalizar em favor de uma revolução permanente das condições de produção da vida. Não obstante, aludimos que Mariátegui não foi um seguidor de Nietzsche. Ao contrário, o marxismo de Mariátegui era radicalmente crítico ao seu aristocratismo. O pensador peruano seguia não a Nietzsche, mas ao Lênin das fórmulas drasticamente sintetizadoras, presentes no conjunto de suas análises de conjuntura, passando estas a con"gurar, na mente de Mariátegui, como uma riqueza de análise e de re#exões especí"cas16. A outra referência de advertência que se encontra nos Sete ensaios foi a seguinte: “Meu pensamento e minha vida constituem uma só coisa, um único processo. E se algum mérito espero e reclamo que me seja reconhecido é o de – também conforme um princípio de Nietzsche – meter todo meu sangue em minhas ideias. (Mariátegui, J. C., 1975, p. XXI)”. Esta alusão é, na verdade, a demonstração da previdência do argumento de Marx a respeito da tradição da "loso"a clássica alemão. Como Marx, Nietzsche está ali para derrubar a con"ança ingênua do pensamento em sua própria autonomia, e principalmente toda a espiritualidade ascética que desvia os olhos com horror diante do sangue e das lutas, onde realmente nascem as ideias. A esse domínio de sangue e luta se contrapõe as ideias consoladoras da história. O sangue e luta de Marx desmascaram a origem imaculada das nações, e o acaso de suas funções. Os valores morais “elevados” são o fruto manchado de sangue e luta, de uma história bárbara de dívidas e barbárie – conforme Walter Benjamin17 -, torturas, obrigações e vinganças, todo o processo de horror pelo qual este “pré-humano” foi sistematicamente violentado e debilitado para tornarse aceitável para a sociedade civilizada da pré-história da humanidade. Assim caracterizou-se a Conquista espanhola no Peru e, deste modo, se constituiu a economia colonial peruana. Mariátegui em seus Sete ensaios parte da análise da estrutura econômica do Peru, desde a economia colonial até o 16 Segundo Marinho, Ricardo. Souza, Vagner G. de. Estrella, Rodrigo. Nietzsche después de Mariátegui. In: Boletim informativo Amauta y su Época, n. 2. Lima, mar, 1997. Ano II. p. 11. Este ensaio foi motivado como resposta ao artigo de Schutte, Ofélia. Nietzsche, Mariátegui y socialismo. Un caso de “Marxismo Nietzscheano” em el Peru In: Boletim informático Amauta y su Época, n. 1. Lima, out, 1996. Ano II. p. 21 – 23. 17 Benjamin, Walter. Sobre o conceito da História. In: Magia e técnica, arte e política, op. cit. p. 222 – 232.

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