219 Ponencias del Simposio Internacional 7 ensayos | 90 años Regionalismo e centralismo10, “O novo poema e sua orientação para uma estética econômica” por Magda Portal11. Logo na advertência de seu livro, Mariátegui deixou claro que seu objetivo era traçar a crítica da economia política da aristocracia peruana12. Mas, pretendia ir além, apontando o caminho da revolução passiva peruana e a saída para se evitar a eminente crise econômica no panorama internacional. O pensador peruano inicia assim sua advertência: Agrupo neste livro, organizados e anotados ao longo de sete ensaios, os trabalhos que publiquei em Mundial e Ama uta acerca de alguns aspetos essenciais da realidade peruana. Da mesma maneira que La escena contemporânea, não é este, um livro orgânico. É melhor assim. Meu trabalho desenvolve-se segundo a vontade de Nietzsche, que não amava o autor devotado à produção intencional, deliberada de um livro, mas aqueles cujos pensamentos formavam um livro espontânea e inadvertidamente. (Mariátegui, J. C., 1975, p. XXI). Nesta perspetiva, a referência ao aristocrata alemão Nietzsche13, permite-nos capturar a direção da crítica que Mariátegui fez a oligarquia peruana ao longo de seu livro. Uma aristocracia herdeira da beligerância dos cavaleiros espanhóis e que, portanto, resistia as transformações do fáustico mundo industrial, principalmente as mudanças oriundas da Inglaterra – cujo mundo medieval havia sido destruído pelas ideias da Revolução de 164014 - e dos EUA. A citação de Nietzsche na epígrafe é apenas um indicador dos tempos onde não se busca mais o sistema, ou seja, se renuncia a desconstruir uma inútil e improvável “teoria geral”. E se funda, aproximando-se do pensamento de Gramsci, uma nova forma de mudança, em que as transformações se operam na “estrutura” (nas relações sociais de produção), por meio de um processo molecular e não necessariamente pela iniciativa das forças antagonistas fundamentais15. Nesse 10 Mariátegui, J. C. Amauta, Lima, n. 4, ano I, dez. 1926. 11 Fuente, Nicanor A de la. Amauta, Lima, n. 24, ano III, jun. 1929. 12 Essa perspectiva se estenderia para a crítica da economia ibero-americana a partir da década de 1960 quando surgem as primeiras publicações estrangeiras dos Sete ensaios. 13 Nietzsche, Friederich (1844 – 1900): Filósofo e escritor alemão, cujo pensamento in#uiu na "loso"a moderna. 14 Cf. Hill, Christopher. O mundo de ponta-cabeça: idéias radicais durante a Revolução inglesa de 1640. Tradução, apresentação e notas de Renato J. Ribeiro. São Paulo: Companhia das Letras, 1987. 15 Cf. Gramsci, Antonio. Americanismo e fordismo. In: A Maquiavel, a política e o Estado Moderno, op. cit. p. 375-413.
RkJQdWJsaXNoZXIy MjgwMjMx