180 Sara Beatriz Guardia que burocratizava-se rapidamente a vida no interior do partido. A III Internacional e seus partidos em outros países começaram pouco a pouco a serem atingidos. Nos países de capitalismo atrasado, os PCs eram orientados a construir alianças e se subordinarem aos partidos da burguesia nacionalista como o Kuomitang chinês tão admirado por Haya de la Torre. Na tentativa de reverter este processo do movimento revolucionário, surgem setores de Oposição no interior do PCUS, liderados por Leon Trotsky, Kamenev e Zinoviev. Estes grupos se uni"cam em 1927 na Oposição de Esquerda Uni"cada. Logo em seguida, no 5º Congresso do PCUS, seus membros são expulsos. Mariátegui e seus camaradas de luta logo começavam a sentir de perto a presença do stalinismo, que se somava ao enfrentamento da repressão sistemática do governo de Augusto Leguía e da oposição do aprismo. Após o 6º congresso a 3ª Internacional decide-se pela “bolchevização” dos partidos comunistas. Em 1928, entre 15 e 24 de março, os delegados peruanos Armando Bazán e Julio Portocarrero estão em Moscou participando do 4º congresso da Internacional Sindical Vermelha (Pro"nterm). Se recusam a assinar um documento de ataque ao dirigente revolucionário espanhol Andrés Nin, que nesse momento ligava-se a Oposição de Esquerda dirigida por Leon Trotsky. Esse posicionamento re#etia a independência política dos peruanos em relação ao dirigismo burocrático que a mão de Stálin começava a impor às organizações da 3ª Internacional. Porém, o choque mais visível entre o grupo peruano em torno de Mariátegui e os stalinistas ocorrerá alguns meses depois dos eventos de Moscou. Durante a 1ª Conferência Comunista Latino-americana, realizada em Buenos Aires entre os dias 1 e 12 de junho de 1929, as posições de Mariátegui confrontaram-se diretamente com a burocracia stalinista. Nesse congresso os dirigentes da Internacional já aplicavam uma tática conhecida como “política do 3º período”. Segundo ela, após o 1º período de revoluções e o 2º de recuos estratégicos, entrava-se agora numa fase de revoluções. Era uma avaliação completamente distante das diferentes e complexas realidades de muitos países, mas que ajudava a, sob o manto de um revolucionarismo esquerdista, encobrir o mando autoritário e burocrático que se consolidava nas instâncias da Internacional. Nada disso era, no entanto, muito evidente nos círculos comunistas dirigentes da periferia latino-americana que se reunia pela primeira vez. A IC ingressava numa fase em que o sectarismo marcaria sua atuação, afastando-a de setores do movimento operário e progressistas simpatizantes das lutas socialistas e negando completamente a política de frente única que marcara o período de formação dos partidos comunistas no continente2. 2 Villaran, Jorge, pp. 120-133.
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