230 Sara Beatriz Guardia superada. A única coisa que a Espanha podia oferecer com abundância às colônias era seus clérigos, doutores e nobres. Suas colônias tinham necessidade de coisas mais práticas e de ferramentas mais novas. E, consequentemente, voltavam-se para a Inglaterra cujos industriais e banqueiros, colonizadores de novo tipo, queriam por sua vez tomar conta destes mercados, cumprindo sua função de agentes de um império que surgia como criação de uma economia manufatureira e de livre-câmbio. (Mariátegui, J. C., 1975, p.7). Neste ponto, sublinhamos as características da modalidade da colonização inglesa, do século XIX, especialmente sua experiência na Índia. Esse tema foi abordado por Keynes em seu livro Moeda da Índia e "nanças (1913). No entanto, nesta obra Keynes limitou-se a discutir a aplicação da teoria monetária existente à reforma do sistema de moeda e "nanças da Índia. Por isso, apresentou o funcionamento das instituições "nanceiras, seu endosso ao padrãoouro e sua defesa de um banco central para a Índia – cujos detalhes o economista inglês elaborou como membro da Real Comissão de Finanças e Moeda da Índia em 1913. Este especialista em moeda acreditava na importância do sistema monetário. Através das páginas de seu primeiro livro expressou a ideia de que a reforma monetária poderia contribuir em muito para fazer da Índia uma nação feliz35. Logo, podemos distinguir o problema da crítica da economia de Keynes; e como Mariátegui percebeu estes limites. Portanto, o problema, se encontra ao longo de duas linhas ziguezagueantes. Nessas de uma parte, Keynes é defensor da reforma monetária como um dos principais elementos na formação do Estado e sociedade moderna; de outra, e partindo do paradigma da Revolução Liberal Inglesa do Século XVII, é identi"cado como o único intelectual inglês que busca a superação positiva e a"rmativa do esquema derivado daquele evento. Todavia, o mais importante é observar que em Moeda da Índia e "nanças, Keynes não aborda o ponto fundamental da questão que Mariátegui insistiu em procurar caracterizar, isto é, a produção e seus desdobramentos. Além disso, Mariátegui de"niu bem o signi"cado do tipo de colonização inglesa e o desenvolvimento de sociedades voltadas e direcionadas pelo capital através do comércio de matériasprimas, ou até mesmo de bens manufaturados. De acordo como Mariátegui: 35 Cf. Keynes, J. M. Indian Currency and "nance. Organizado por Elizabeth Johnson. 2ª ed. Londres: Macmillan, 1971. v. I. (The collected writings of John Maynard Keynes).
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