185 Ponencias del Simposio Internacional 7 ensayos | 90 años substituído como consequência da política de “proletarização” imposta ao PCB pelo novo Secretariado Sul-americano. Isso provocou um enfraquecimento geral do partido3. Outra consequência foi a desarticulação da orientação do BOC (Bloco Operário e Camponês), formulado inicialmente como uma frente operária e que se construía em uma ação mais ampla4. A revolução de 1930 no Brasil permitiu que Mário Pedrosa pudesse elaborar um esboço original e amplo sobre o desenvolvimento do capitalismo no país. A direção do PCB, agora bem alinhada com as posições do Secretariado Sul-Americano da IC avaliava que a revolução de 1930 era produto de contradições imperialistas entre a Inglaterra e os Estados Unidos. Um dos textos mais marcantes escritos por Mário Pedrosa em colaboração com seu amigo e militante Lívio Xavier em outubro de 1930, que se intitulava “Esboço de uma análise da situação econômica e social do Brasil”, demostrara porém, que em 1930 ocorrera uma reorganização das classes dominantes do Brasil, com uma disputa de frações da burguesia por privilégios econômicos internos. Foi publicado no Brasil no periódico A Luta de Classe de fevereiro/março de 1931. A avaliação era uma re#exão original que entre outros temas posicionava-se sobre a incapacidade das burguesias realizarem a revolução democrática nos países atrasados. Como resultado surgira um governo forte e centralizado comandado por Getúlio Vargas para garantir a unidade nacional do país contra os interesses regionalistas. A análise mostrava um país capitalista, com uma burguesia aliada ao imperialismo e a necessidade da unidade de ação independente da classe operária e do conjunto do povo para derrubá-la: “A burguesia brasileira não tem bases econômicas estáveis que lhe permitam edi"car uma superestrutura política e social progressista. O imperialismo não lhe concede tempo para respirar e o fantasma da luta de classes proletária tira-lhe o prazer de uma digestão calma e feliz. Daí sua incapacidade política, seu reacionarismo cego e velhaco e – em todos os planos – sua covardia. (...) Seja qual for o resultado da luta atual, a unidade no Brasil mantida pelo domínio da burguesia será garantida na razão direta da exploração crescente das classes oprimidas e do achatamento sistemático das condições de vida do proletariado. O grau mais ou menos elevado de sua consciência de classe, o tempo mais ou menos longo que ela levar para formar-se, decidirão da sorte dessa unidade”.5 3 Ibidem, pp. 625-632 4 Dainis Karepovis, Luta subterrânea, p. 49 5 Fúlvio Abramo e Dainis Karepovis, Na contracorrente da História, pp. 66-82
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